PREVENÇÃO À SAÚDE MENTAL NAS EMPRESAS
- Olivan Liger

- 28 de fev.
- 3 min de leitura
O aumento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho não é uma hipótese teórica: trata-se de um fenômeno clínico, epidemiológico e econômico que vem se intensificando nas últimas décadas. Ansiedade generalizada, depressão, síndrome de burnout, transtornos de adaptação e quadros somáticos associados ao estresse ocupacional tornaram-se causas frequentes de afastamento laboral no Brasil e no mundo.
Se, na modernidade descrita por Sigmund Freud, o sofrimento psíquico estava fortemente vinculado à repressão e à moral sexual, na contemporaneidade ele se articula à exigência de desempenho contínuo, à hiperprodutividade e à lógica da disponibilidade permanente. O sujeito não é mais apenas proibido — ele é convocado a performar, inovar, bater metas e se reinventar constantemente. O resultado clínico aparece sob a forma de esgotamento, sensação de insuficiência crônica, perda de sentido e colapso emocional.
O ambiente corporativo atual, especialmente em setores de alta pressão por resultados, frequentemente combina: Metas agressivas e variáveis; Instabilidade contratual; Ambiguidade de papéis; Assédio moral velado ou explícito; Jornadas extensas ou informalmente ampliadas; Cultura de urgência permanente.
Esse cenário produz riscos psicossociais objetivos, que hoje são reconhecidos tecnicamente e juridicamente. O adoecimento mental relacionado ao trabalho não gera apenas sofrimento individual; ele impacta diretamente: A produtividade; O clima organizacional; O turnover; A imagem institucional e o passivo trabalhista.
Embora os valores variem por setor e porte da empresa, é possível fazer uma comparação estrutural:
Custo médio de afastamento de um colaborador por transtorno mental:
Salário pago durante afastamento inicial
Encargos sociais
Substituição temporária ou sobrecarga da equipe
Treinamento de novo colaborador (em caso de desligamento)
Possíveis ações trabalhistas e indenizações
Estudos de gestão estimam que o custo total de substituição de um profissional pode variar entre 50% e 200% do salário anual desse funcionário, dependendo do nível hierárquico. Em casos de afastamentos recorrentes, o impacto se multiplica.
Agora compare com um programa preventivo estruturado, que pode incluir: Mapeamento de riscos psicossociais; Treinamentos de liderança; Escuta institucional qualificada; Programas de saúde mental; Avaliações periódicas de clima organizacional e protocolos claros de prevenção ao assédio
O investimento anual em prevenção costuma representar uma fração do custo acumulado de afastamentos e ações judiciais. Além disso, prevenção não é apenas economia — é gestão estratégica de risco.
A atualização da Ministério do Trabalho e Emprego na Norma Regulamentadora 01 (NR-01) reforça a obrigatoriedade do Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), incluindo riscos psicossociais.
Isso significa que: O risco mental passa a ser formalmente reconhecido; A empresa precisa identificar, avaliar e mitigar esses riscos e a omissão pode gerar responsabilização administrativa e judicial
A NR-01 desloca a saúde mental do campo opcional para o campo da obrigação legal. Não se trata mais apenas de “benefício corporativo”, mas de conformidade normativa.
Um trabalho preventivo alinhado à NR-01 pode ser organizado em três eixos:
1. Diagnóstico
- Levantamento de fatores de risco psicossocial
- Entrevistas e questionários estruturados
- Análise de absenteísmo e rotatividade
2. Intervenção
- Formação de gestores em liderança saudável
- Protocolos contra assédio
- Reorganização de fluxos que geram sobrecarga
3. Monitoramento contínuo
- Indicadores de saúde organizacional
- Revisão periódica de riscos
- Canal de escuta institucional
Empresas que investem nesse modelo não apenas reduzem afastamentos — elas aumentam engajamento, retenção e reputação de marca empregadora.
Conclusão
O aumento dos transtornos mentais relacionados ao trabalho é um sintoma do modo como o trabalho vem sendo organizado na contemporaneidade. Ignorar esse fenômeno é assumir um passivo humano e financeiro crescente.
Comparativamente, o custo da prevenção é estruturalmente menor do que o custo do afastamento e da judicialização. A atualização da NR-01 torna essa discussão ainda mais urgente: saúde mental no trabalho não é mais um diferencial competitivo — é exigência legal, responsabilidade ética e estratégia econômica inteligente. Nós do ILPC – Instituto Latino americano de Psicanálise Contemporânea estamos instrumentalizados e treinados para ajudar você em todas as fases previstas por lei, gerando os devidos relatórios e monitorando a saúde mental de seus colaboradores. Entre em contato conosco: ilpcpsicanalise@gmail.comr



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