Você tolera a in-tolerância?

 

 

Pensar Psicanálise – ILPC, maio/2015

de Henrique Senhorini

 

 

 

Bom, este tema – a intolerância - tem comparecido cada vez mais nas mídias, nos noticiários, principalmente na questão racial/religiosa. Estou me referindo aos grupos extremistas, como por exemplo, o autodenominado Estado Islâmico, cujas ações, justificadas por eles, são movidas por uma identidade religiosa. Sabemos que não podemos excluir deste contexto de intolerância a questão da identificação étnica/social/religiosa. Porém, sabemos também que não é bem isso, no mínimo, trata-se de um pretexto - o uso da religião, mesmo assim de forma distorcida - para tentar justificar suas ações e encobrir os verdadeiros motivos. São grupos extremistas que simplesmente aniquilam seus opositores - até os seguidores da mesma religião e da mesma ramificação do Islã, no caso os Sunitas – por, simplesmente, não tocarem a mesma música e no mesmo tom.

 

Grupos cujos membros estão sob uma “lógica afetiva”(p. 72), como a apresentada por Fanon e descrita por Derek Hook (2014) – prof. do Depto. Psicologia Social da Universidade de Londres - no livro “Raízes da Intolerância”, que delineia uma determinada economia libidinal formando laços sociais libidinais. O autor nos lembra que para Freud (1921), em “Psicologia das massas e análise do eu”, a economia libidinal trata-se de “um vetor fundamental de identificação de grupos”(p.73) e que a constituição dos seus laços sociais se dá através da conflituosa adesão dos investimentos de seus Ideal do Eu (no registro do simbólico) e Eu Ideal (este no imaginário). Sem nos esquecermos de levarmos “em consideração a narcisista e imaginária imagem do Eu Ideal que uma comunidade tem de si mesmo”(Id. Ibid, p.74). E o que isso acarreta?

Resposta fácil: somos melhores e superiores que os outros.

 

É isso que Hook – desenvolvendo o pensamento de Fanon - diz ao se referir ao “conjunto narrativo”, da comunidade, formado “de desejáveis, heroicas e frequentemente exageradas autorrepresentações que ela [a comunidade] promove e com as quais se identifica”. (Id. Ibid, p.74)

Assim se dá a constituição de um grupo, como consequência dessa hiper inflacionada e inchada imagem de si mesmo dizendo, para os próprios ouvidos, que somos os melhores …. Bem, sendo assim, os outros só podem ser os inferiores, os menos em tudo quando comparados.

 

Um parênteses sobre a questão do reconhecimento...

Todos nós sabemos a importância do reconhecimento, de sermos reconhecidos em qualquer vertente de nossas vidas, desde o nascimento. Porém, Oscar Cesarotto (2014) sobre esta questão avisa: “na luta pelo reconhecimento, o prestígio de cada um dependa inversamente do outro.” (p.15), nos lembrando que para alguém ter mais reconhecimento, um outro terá que ter menos.

 

Então, retornando... Isso nada mais é que “uma estratégia de posicionamento, um tratamento da ansiedade por meio de uma série externamente focada de atribuições que leva à consolidação de uma identidade de grupo”(ibid). Foi assim que, provavelmente, se formou um Estado – como este, o Islâmico - sem terras, sem frenteiras e sem uma nacionalidade própria, visto que muitos de seus combatentes são naturais e oriundos de diversas nações, incluindo USA, países da Europa e até do nosso Brasil.

Mas e em contrapartida, estamos assistindo - principalmente na Europa - o rápido desenvolvimento de uma Islamofobia. Trata-se da velha xenofobia europeia dando sinais que continua viva e saudável, pois nunca morreu ou adoeceu, no mínimo, estava em letargia como um urso em estado de hibernação aguardando seu momento.

 

Portanto, o que estamos vivenciando – e alguns experienciando no corpo – é uma crescente escalada de violência por parte daqueles que não suportam o diferente nem a sua diferente visão do mundo, de agir no mundo, de ser no mundo. Neste caso específico, estou me referindo ao Estado Islâmico – também conhecido como ISIS – que não tolera nem mesmo a famosa al-Qaeda, que fora, até pouco tempo atrás, como seu irmão mais velho na família dos intolerantes extremistas.

Um aviso: estou deixando propositadamente o grupo Boko Haram e seu reinado de terror por achar que se trata de outra coisa que vai mais além da intolerância.

 

O pior é que não se trata de uma novidade. Na idade média também fizeram uso da religião, neste caso o cristianismo, para justificar ações de aniquilamento contra o diferente. Todos conhecem a história e, no mínimo, já ouviram falar das Cruzadas, a grande, cruel e sanguinária “guerra santa” medieval.

 

Outro aparte aqui...

Interessante e equivocada é a expressão “guerra santa”, utilizada ao longo da história até os dias de hoje, do século 21 e que muitos nomeiam esse período de pós-modernidade, mundo globalizado, etc...

Não existe guerra santa! Isto é uma contradição em termos.

 

Bem, retornando...

E podemos por na mesma conta da crueldade o período das grandes navegações, descobertas e colonizações? Os índios do Brasil acham que sim!

 

E seguindo rapidamente essa linha do tempo – de forma livre, sem o rigor acadêmico, pois não é o caso - veio o período da mão de obra africana escravizada. Por que os africanos ? Cor da pele negra, bem diferente dos brancos europeus, sem poderio bélico – diferente dos turcos otomanos da época das cruzadas -, sem defesas, além da aprovação e apoio irrestrito aos brancos dado pela religião católica, a mesma que pregava que os negros, assim como os índios, não possuíam almas. Portanto, tudo bem, podia-se fazer o que bem entender deles.

 

Os índios - que no primeiro momento também foram escravizados e ou catequizados - por vários motivos, não serviam para as demandas de trabalho dos colonizadores europeus – também não havia nada deles/neles que os colonizadores desejassem - e por conta disso, também, foram na sua grande maioria exterminados, diferentemente dos negros...

Esses últimos até por serem mais fortes e consequentemente mostrarem ser uma mão de obra melhor, tiveram um outro destino: as senzalas. Porém, sua força, seus corpos musculosos, a virilidade e potência sexual era temida, além de - sob disfarce – admirada.

 

E daí podemos questionar:

Com a convivência forçada entre o senhor e o escravo, o racismo - através de esterótipos criados que diminuíam humanamente os negros- foi a maneira encontrada dos brancos se protegerem de seus próprios desejos inconscientes? Imagina só se as brancas da época se empolgassem com o pênis negro (grande e grosso) dos escravos africanos? Seria esse o temor dos homens brancos? Seria essa a verdadeira inveja do pênis?

 

Só para demonstrar como os negros eram retratados, vou citar um trecho do que se escrevia no mundo branco, sob eles naquela época – em “The History of Jamaica” (1774) – de Edward Long (administrador colonial britânico e historiador) :

 

“(...) orgulhosos, preguiçosos, traiçoeiros, desonestos, sensuais e viciados

em todos os tipos de luxúria, e sempre prontos para promovê-los nos outros, como cafetões, alcoviteiros, incestuosos, brutos e selvagens, cruéis e vingativos, devoradores de carne humana, e bebedores de sangue humano, inconstantes, vis, traiçoeiros e covardemente ligados e viciados em qualquer tipo de superstição e bruxaria e, em poucas palavras, a todos os vícios que a eles se apresentem (…).

Eles são desumanos, bêbados, falsos, cobiçosos, e desleais ao mais alto nível (…). É tão impossível ser um Africano e não ser lascivo, como é impossível nascer na África e não ser um Africano (…), [Suas] habilidades são verdadeiramente bestiais, não

menos do que suas relações com o outro sexo; nesses atos eles são

libidinosos e descarados como macacos ou babuínos.” (Id. ibid, p.71)

 

Horroroso, não é gente? Mas era assim.

 

Mas, seria esse o horror fantasmático - o das mulheres brancas os trocarem por homens negros - o motivo de tanta barbárie contra os negros? Até porque os homens brancos não os achavam sensuais e libidinosos como descrito acima por Long?

Pode ser e é por isso que Fanon denomina esse movimento de negrofobia. Mas, realmente, trata-se de uma fobia ? Uma fobia em relação aos negros?

Vejamos o que ele diz sobre: “O objeto fóbico é essencialmente aquele que desperta um senso de insegurança subjetiva no sujeito [pois] esse objeto perturba e provoca ansiedade no sujeito fóbico, que o considera detestável, repugnante.”(id.ibid, p.74 e 75). E ele, o objeto fóbico, “induz a uma poderosa reação irracional, uma resposta que ultrapassa qualquer medo aceitável ou ansiedade justificável”. E, continuando com Fanon, o fóbico dá ao objeto “maliciosas intenções e (…) os atributos do poder maligno” (p.74).

Porém, devemos levar em consideração a noção de ambivalência na psicanálise, que “correntes contrárias existem conjuntamente, conjunções dinâmicas nas quais cada uma é a condição da outra” como nos lembra Hook. (Id. ibid, p.77). E Fanon deixa isso muito claro em sua ideia de racismo fobogênico ao dizer que “o alvo do racismo permanece entrecruzado não apenas em relação ao desgosto, repulsão e difamação, mas com potentes relações de fascinação, exotismo e desejo.” (Id. ibid, p.77). Desejo esse que tem que ser repelido a todo custo, permanecendo no inconsciente, pois de modo consciente seria insuportável para o sujeito.

 

E não seria a mesma coisa, o mesmo mecanismo, o mesmo funcionamento, a mesma dinâmica e economia libidinal em relação aos homossexuais? A homo e bissexualidade?

Afinal, muitos - os Bolsonaros e Felicianos da vida com suas trupes, são exemplos disso - consideram os bi e homossexuais detestáveis e repugnantes assim como citado acima em relação aos negros. Até porque esses também ameaçam a ordem natural, a ordem social e, além disso, eles ainda podem escolher e amar livremente seus parceiros e parceiras sem estarem presos a condição de gênero? Homofobia? Pau neles?

 

Contudo, o racismo – desenvolvido por Fanon como uma negrofobia – assim como a repulsa aos bi e homossexuais não podem ser reduzidos a uma fobia, como nos adverte Hook (Id. Ibid, p.75), apesar de sua dinâmica analiticamente vantajosa que nos induz, muitas vezes, a esse engano.

 

Aliás - e é sempre bom lembrar -, não podemos pensar a negrofobia e homofobia mais como uma perversão do que propriamente tratar-se de uma fobia? O psicanalista Arnaldo Dominguéz de Oliveira (2012), em “A Homophobia”, afirma que sim!

Bem... de minha parte, eu entendo que o gozo apresentado por esses intolerantes, citados aqui e já generalizando, está mais para um gozo-do-Outro - um gozo fora da curva da castração - indicando uma perversão, mais do que uma fobia, visto que o vou gozar do e no outro sem a autorização desse outro faz barulho e é uma das principais características da perversão ao lado da famosa frase, “eu sei, mas mesmo assim...”, cunhada por Mannoni (1991, p.189), afirmando que o “mas mesmo assim” (Ibid) é explicado pelo desejo ou fantasia.

 

Apesar de tentadora, eu não vou entrar nessa disputa, visto que tanto a fobia quanto a perversão tem em comum a problemática relação do sujeito com a sua castração. E é importante salientar – e também não podemos desconsiderar, nem um pouco - a “placa giratória” de Lacan (1968-1969, p. 298) que demonstra como se dá esta aproximação entre a fobia e a perversão. Vamos à fonte:

 

"A fobia não deve ser vista, de modo algum, como uma entidade clínica,

mas sim como uma placa giratória. Ela gira mais comumente para as duas grandes ordens da neurose, a histeria e a neurose obsessiva, e também realiza a junção com a estrutura perversa [...] Ela é muito menos uma entidade clínica isolável do que uma figura clinicamente ilustrada, de maneira espetacular, sem dúvida, mas em contextos infinitamente diversos." (Id.ibid, p.298)

 

Bom... então, a fobia como o resultado de uma modalidade de defesa contra a angústia da castração através da eleição de um objeto fóbico, denota para Freud, uma presença excessiva do pai como agente castrador para crianças em sua fantasia. Já Lacan desenvolve a fobia como sendo do nível de um chamado urgente de socorro diante de uma escassez paterna.

Então, junto com Lacan em sua releitura as obras freudianas quanta à fobia, dizemos que ela é – em sua característica - uma evitação da castração frente a insuficiência do pai real.

 

E sobre o objeto substituto, o objeto fóbico – também podemos pensá-lo como significante fóbico, como “elemento simbólico singular” (Lacan, 1956-57, p.57) –, é aquele com o qual o sujeito faz uso para se proteger da angústia, assegurando sua estabilização e a transformando, através desse objeto, “em medo localizado […] que, de outra maneira, se declararia numa angústia impossível de suportar” (ibid, p. 412).

 

...Bem, então, o intolerante pode pensar que com a aniquilação deste outro, está protegido de sua angústia, de seu desejo inconsciente? Afinal, ele – o outro - é o culpado por fazer suscitar tais desejos impróprios. Será essa a equação que os racistas e homofóbicos (sem citar os xenófobos e os machistas) operam para responsabilizar o outro e não a si mesmo e assim dormirem em paz?

 

Percebam, em todos eles, que a projeção invertida está presente em suas dinâmicas, ou seja, “o que não se tolera é sempre e necessariamente um fragmento de gozo inadmitido na própria fantasia do desejo”, de acordo com Christian Dunker (2014, p.39).

E Dunker apresenta uma lista que é bom citar aqui:

- “O homofóbico é alguém em dificuldade com sua própria virilidade ou feminilidade.

- O racista é alguém que presume um a-mais-de-gozo que se lhe teria sido furtado pelo elemento de outra raça.

- O xenófobo é alguém que não consegue lidar com sua própria irrelevância e impotência de origem.

- O machista é aquele que teme a escalada do poder feminino, diante do qual se sente desprotegido.” (ibid, p.39)

 

E o autor prossegue dizendo que é por esta lógica, a lógica de inversões projetivas, que passamos frequentemente da “gramática da intolerância” (ibid) para o sexual, para a ordem do exercício da sexualidade como forma de poder, apontando para o assédio sexual, a pedofilia, o sadismo, o masoquismo, o fetichismo, como possíveis aspectos principais nas quais se poderia encontrar a intolerância. “Poder e dominação.” (ibid,).

 

Bom... então, ódio intolerante ao outro diferente - o ódio “como forma de intimidade” (Hook, p.77), o ódio como força motriz da agressividade, da destruição e aniquilação (também no sentido de reduzir/humilhar) – o ódio (e a inveja também?), se mostrando como o ponto de amarração que une esses exemplos trazidos (Est. Islâmico, racismo e homofobia).

E sobre a agressividade, M.R. Kehl (2014) nos faz lembrar que a agressividade não é “a expressão direta da pulsão de morte” (ibid, p.110) e sim resultado da “fusão entre Eros e Tânatos” (ibid, p.110), mesmo causando destruição e mortes.

 

Um parênteses importante sobre o ódio...

O ódio, entendido aqui, como uma paixão do Ser, de acordo com as três paixões fundamentais. De acordo com Mauro Mendes Dias (2012), em Os Ódios, essa paixão do Ser em Lacan é caracterizada pela suspensão provisória da barra que separa o “significante do significado, porque, uma vez suspensa, o sujeito não tem mais referência de impossibilidade; ao contrário, os significantes da paixão determinam uma relação de superposição com o significado” (p.26). E, ainda com o autor, é justamente essa “provisoriedade” (p.26) na suspensão que diferencia a paixão – visto que é chama - da psicose.

É sempre bom não nos esquecermos, também, o ódio como fator na constituição do sujeito, ou melhor, desde a constituição do psiquismo, pois este, o ódio, se confunde com a “dimensão do desprazer” (p.29). Ainda com Mauro Mendes, “o ódio está antes do sujeito porque ele se inscreve nessa condição do Outro ser castrado” (p.29). Portanto, o ódio antecede o amor, vem primeiro em nós, só depois vem o amor.

E isto - além de assustador - quer dizer que não somos tão diferentes dos intolerantes mencionados aqui como gostaríamos.

 

Bom... fechando parênteses e retornando...

Vejamos: até aqui e nos casos citados de racismo e homofobia por mim, - acrescentado da xenofobia e machismo por Dunker – percebemos que há algo da ordem do desejo.

Um desejo sexual impróprio, um desejo proibido, desprezível, enfim, aquele que tem que ser mantido nas profundezas (como se houvesse) do inconsciente.

E quanto àquele que, com sua presença, ameaça trazer minha a verdade escondida, escondida de mim mesmo, a minha verdade que eu suprimi, ou seja, a verdade do meu desejo inconsciente - e assim (des)velá-la - deverá ser destruído para minha preservação. Portanto, aquele que se apresentar como meu espelho, via inversão projetiva, será aniquilado.

Apesar disso, nos dá a impressão que seu gozo está mais para o gozo fálico, aquele - de alguma forma - mediatizado pela Lei e pelo significante, delimitado pelo campo simbólico.

 

Por outro lado, então - em relação ao Estado Islâmico e seus membros - os intolerantes radicais (vou chamá-los assim para diferenciá-los dos outros intolerantes) estariam sob o domínio do gozo e com placa giratória na perversão.....

Sob o domínio de um gozo mais além do princípio do prazer, um excesso de gozo-Outro, um gozo embrutecido, devorador e mortífero, caótico, absoluto, sem limites, cuja inscrição do Nome-do-pai e o acesso ao falicismo estão ausentes por prazo indeterminado. Dá a impressão que estão vivenciando o mesmo hiato, ante a vigência do tabu do incesto, no qual os filhos do tirano pai - do mito científico freudiano Totem e Tabu (1913) - viveram logo após ao parricídio, como bem situa Maria Rita Kehl (2014) : “A sentença de Dostoievski (1879), se Deus está morto, então tudo é permitido” (p.112).

 

Então, podemos pensar que, se há intolerantes que se encontram na ordem do desejo e intolerantes sob o domínio do gozo, podemos pensar em in-tolerâncias? In-tolerâncias, assim mesmo no plural, pois, no meu entender, há diferenças entre elas. E ainda - e com bastante atrevimento - também podemos pensar numa placa giratória versão intolerante, que hora aponta para o desejo e hora para o gozo?

 

E aí, outras questões suscitam na sequência...

O que faz a pessoa se tornar um intolerante? Uma intolerância - mesmo que temporária e pontual - em relação a qualquer objeto, incluindo o outro?

 

Segundo Dunker, “a intolerância se vê constituída como uma reação ao gozo do outro, sentido e interpretado como excessivo, intrusivo e que no fundo está afetando e limitando o gozo do intolerante” (Id.ibid, p.39). E o autor coloca do lado dos intolerantes a “ideia de limite” – “passar dos limites, extrapolar o tolerável” - como defesa contra violações/invasões de seu território. E questiona “qual é o território mínimo do indivíduo? “Seu corpo? Seu quarto? Sua casa?...[...]...seus objetos preferenciais de gozo?” (Ibid.).

 

Mas, por outro lado, nós - supostos tolerantes – não nos sentimos ameaçados e invadidos pelo gozo dos intolerantes?

Até que ponto os tolerantes toleram os intolerantes?

Somos mais tolerantes por sermos mais barrados pela castração, pela lei, pela cultura civilizatória? E no caso brasileiro soma-se a miscigenação?

Mas, e o mal-estar (da civilização?) que isso causa?

Enfim, você tolera a intolerância?

É isto!

Melhor dizendo: É o Isso !!!

 

Observação:

O que é tolerar?

Segundo o Aurélio tolerar quer dizer aguentar, suportar, apontando para a indulgência, resignação. Para o Michaelis, versão online, levar co paciência, suportar com indulgência. Esse dois trazem no termo tolerância a palavra sofrível. Já o Priberam, também online e que tem por base o Dicionário Lello, de Portugal, diz que tolerar é sofrer o que não deveríamos permitir ou o que não nos atrevemos a impedir.

 

Referências Bibliograficas

CESAROTTO, O.A. (2014) - Introdução: Intolerância. In: FANTINI, J.A. (org) - “Raízes da Intolerância”. São Carlos: EdUFSCar – p. 13-16.

DIAS, M.M. (2012) - “Os Ódios: clínica e política do psicanalista”. São Paulo: Iluminas.

DUNKER, C.I.L. (2014) - Intolerância e Cordialidade nos Modos de Subjetivação no Brasil. In:

FANTINI, J.A. (org) - “Raízes da Intolerância”. São Carlos: EdUFSCar – p. 17-42.

FREUD, S. (1913) - Conselhos ao médico para o tratamento psicanalítico. In: “Obras Completas de S. Freud” - Vol. X - Rio de Janeiro: Ed. Delta, 1958 - p. 47-239

HOOK, D. (2014) - Fanon e a Economia Libidinal. In: FANTINI, J.A. (org) - “Raízes da Intolerância”. São Carlos: EdUFSCar – p. 71-98.

KEHL, M.R. (2014) – História e Repetição. In: FINGGERMANN, D. (org) - “Os paradoxos da repetição”. São Paulo: Annablume – p. 107-130.

LACAN, J. (1956-1957) - O seminário, livro 4: a relação de objeto. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1995.

_________. (1968-1969) - O seminário, livro 16: de um Outro ao outro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008.

MANNONI, O. (1991) - Eu sei, mas mesmo assim... . In: KATZ, C.S. (org) - “Psicose - uma leitura psicanalítica”. São Paulo: Escuta – 2ª ed., p. 183-212.

OLIVEIRA, A. D. de - A Homophobia. Disponível em: <http://cinefreudiano.blogspot.com.br/2012/06/homophobia.html> Acesso em 27/01/2105.