A FORMAÇÃO DE PSICANALISTAS

 

A história da formação de psicanalistas começa com seu criador, Sigmund Freud.

 

Na época, a leitura das obras de Freud, a troca

de ideias entre os pares e com o próprio Freud

e a análise eram as bases para que alguém fosse por Freud reconhecido como um analista.

 

Grandes nomes como Otto Rank, Karl Abraham, Ferenczi, Sachs e Jung aderiram ao invento de Freud, levando a psicanálise para fora de Viena

e suscitando a necessidade de regulamentar sua prática.

 

Preocupado com o uso da técnica e os possíveis desvios que poderiam advir de formações inadequadas, Freud cria uma Associação Psicanalítica Internacional, a IPA, delegando a ela o poder de instituir regras oficiais a serem seguidas pelos aspirantes à psicanalistas.

 

Freud tornou-se um legislador persistente da causa analítica na tentativa de manter a qualidade de uma formação e a atuação devida dos psicanalistas.

 

Temas importantes como a análise didática, supervisão clínica e orientação teórica estão contido em muitos de seus escritos, a ver A questão da Análise Leiga (1926), Sobre o ensino da Psicanálise nas Universidades (1919) e outros.

Em 1918, o que era um requisito favorável e considerado por Freud como fundamental, passou a ser um requisito obrigatório, uma regra inviolável, a análise do candidato à psicanalista, defendida pelo psicanalista vienense Herman Numberg.

 

A partir dai, várias instituições formadoras foram criadas e reconhecidas pela IPA que lhes delegavam a função de legitimar e fiscalizar a formação de futuros psicanalistas.

 

Nos idos dos anos de 1960, entra no cenário psicanalítico Jacques Lacan que ao se propor à releitura da obra Freudiana, reformula a questão da formação de psicanalistas.

 

Lacan reconhece a singularidade e subjetividade da formação do psicanalista, não cabendo portanto uma formação padrão que garanta a um candidato o título de psicanalista. Não reconhece a análise didática, mas a análise terapêutica que faz surgir um novo psicanalista, que faz surgir o desejo do analista. Afirma incisivamente ainda no seminário O Ato psicanalítico (1968) que a análise

é a verdadeira formação analítica, não podendo existir outra forma para se formar analistas.

 

Nova turma: 06 de Agosto de 2019
Encontros: Quintas feiras, de 19h30 às 22h00.   INSCRIÇÕES ABERTAS!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando fundou a Escola Freudiana de Paris, em 1967, Lacan criou modelos próprios de formação instituindo os cartéis e o passe, e na Proposição de 9 de Outubro de 1967 definiu a posição da EFP afirmando que "o analista se autoriza por si mesmo".

 

Aforismo que gerou diversas interpretações e mal-entendidos e que repercutiu como um questionamento a forma de poder das instituições. Destituia as instituições do poder de formar analistas e condicionava esse poder ao desejo.

 

Para muitos, essa proposição autorizava toda sorte de charlatanismos e abusos, não tendo assim nenhuma instituição garantidora da formação.

 

Em 1974, Lacan faz um acréscimo à sua afirmação e parte da questão da sexuação, dizendo que “o ser sexuado só se autoriza por si mesmo”. Ao sujeito cabe suas escolhas, e acrescenta “e por alguns outros”. Segue então completando seu aforismo sobre a questão da formação: -”O analista só se autoriza por si mesmo e por alguns outros”. Desde então, Lacan nunca esclareceu a que outros se referia, deixou que à sua afirmação fosse dada diversas interpretações.

 

Para alguns autores, a complementação “e por alguns outros” se referiria ao ensino teórico e à supervisão clínica. Outros entenderam seu acréscimo como a sugestão de continuidade do dispositivo do passe. Há os que pensaram que tal citação se referia a justificativa da existência das instituições e o resgate de seu poder. E ainda os que se referem aos “outros” como pares.

 

O ILPC acredita e endossa a singularidade e subjetividade do processo de tornar-se um psicanalista. Entendemos o termo formação como um processo de transformação advindo de um experiência analítica e o saber sustentado pela supervisão clínica.

 

Nossa proposição é que o analista (sem o “só”) se autoriza por si mesmo, pelos pares e pela transformação que apresenta durante o percurso na instituição. Propomos um acompanhamento individual durante o processo de transformação que culmina na auto-autorização e na autorização de pares e analista.

Valores para 2020
Matrícula única: R$ 300,00
Associação (anual): R$ 400,00
36 mensalidades de R$ 650,00
Descontos poderão ser concedidos mediante entrevista de esclarecimento.
Descontos poderão ser concedidos mediante entrevista de esclarecimento.

Somos uma instituição que acreditamos que a formação em psicanálise é algo permanente. Nunca um psicanalista está totalmente formando, a falta prevalece em lacunas de conhecimento de de Saber que demandam todo o empo a busca por apropriar-se de um conhecimento. Apropriar-se significa tornar próprio, produzir novos saberes. Ao propormos uma formação com duração de três anos, acreditamos estar transmitindo a base conceitual para novas expansões. O analista que acredita que em três anos estará pronto, frequentemente não é autorizado pelos outros do seu grupo e nem pela instituição. Lembrando a máxima de Lacan: “Um analista por si só se autoriza” na Proposição de Outubro de 1967 e logo mais acrescentou “...e por alguns outros”. O analista nunca está pronto, mas pode ser autorizado pelos “alguns outros” e em parte pela “instituição” (grupo de alguns outros e Outros). Após a base conceitual transmitida em três anos, incentivamos a continuidade da formação através da participação em grupos de estudos, cartéis, produção de artigos, cursos breves e outros. Não vendemos psicanálise, formamos psicanalistas em busca de novos saberes. A formação é da ordem do permanente, já que a falta é constitutiva e estruturante do sujeito e do analista também. Não formamos “estrelas”, formamos psicanalistas em contínua busca de saberes, seja conosco ou em outras instituições sérias. O PSICANALISTA NUNCA SE FORMA, SE AUTORIZA E É AUTORIZADO, MAS PRECISA SEGUIR BUSCANDO SEMPRE E SEMPRE O SABER E EM SUPERVISÃO OU ANÁLISE CONSTANTE.

NOSSA FORMA-AÇÃO

 

O ILPC tem por finalidade a transmissão ética da psicanálise. Pensamos uma psicanálise inserida na contemporaneidade e suas emergências

e fundamentamos o nosso trabalho na seriedade

e no comprometimento.

Com o objetivo de otimizar e viabilizar a apreensão do saber e o processo de trans-forma-ação de psicanalistas, nossa forma-ação se pauta em módulos com objetivos diferenciados

 

Módulo I – Um semestre – período

de pré-formação

É uma etapa adaptativa às etapas seguintes onde os principais conceitos da teoria freudiana serão apresentados seguidos de produção de textos e entrevistas individuais. Esse módulo finda com orientação específica a cada aspirante quanto ao seu aproveitamento, diretrizes para que possa melhor aproveitar os períodos seguintes.

 

Módulo II – Três semestres – período

de trans-forma-ação

Seguimos com as articulações dos conceitos e pensamentos de diversos autores, psicopatologia psicanalítica, aportes suplementares e teoria da técnica. No final desse módulo, o aspirante será convocado para um novo encontro individual com o orientador com o objetivo de oferecer um feed-back do seu aproveitamento, orientá-lo quanto aos atendimentos na clínica social e nomeação de um supervisor clínico.

 

Módulo -III – Dois semestres - período

da autorização

Introdução de estudos complementares, início do atendimento psicanalítico, da supervisão individual e de grupo. No final desse período, o aspirante apresentará para todo o grupo e mestres um estudo de caso atendido durante o período. Uma entrevista pessoal será solicitada por um supervisor para falar do andamento da sua análise, do seu aproveitamento na prática clínica e de como deverá prosseguir após o término oficial do módulo (continuidade da análise, leituras, supervisão, clínica social, clínica privada, etc...)